segunda-feira, 16 de abril de 2012

Família Iguatuense de Artistas prepara espetáculo Musical para Iguatu


A Família de músicos Prudencio está em processo de conclusão do espetáculo "Humbertos" um experimento musical baseado na obra musical do cantor iguatuense Humberto Teixeira acrescentado da obra poética de Rachel de Queiroz. A família formada por Francisco Prudencio e seus três filhos Michael Prudencio, Michel Prudencio e Sudelan Mendonça com a direção musical do músico Helinho Gomes e a representação teatral da atriz Luana Marques o espetáculo busca inovar e divulgar a música do compositor cearense, "buscamos fazer uma nova releitura das músicas, buscando inserir as nossas influencias musicais dessa diversa musicalidade brasileira, mesclando com vários instrumentos musicais" disse o Maestro Francisco Prudencio.
A família do músico Francisco Prudencio vem há 23 anos desenvolvendo um trabalho na socialização e educação artística de jovens e crianças de Iguatu através da Banda Municipal Maestro Manoel Ferreira Lima, do Projeto Arte Criança, Fundação Edvane Mathias, Colégio Ruy Barbosa, Unimed Centro Sul, Empresa DAKOTA, Banda Municipal de Quixelô e Banda Municipal de Cariús, vários músicos e artistas receberam suas primeiras formações musicais através do regente mano conhecido assim popularmente, com isso edificou sua família exclusivamente com a economia da arte e cultura na cidade de Iguatu e proporcionou uma educação de qualidade a seus filhos Michael Prudencio professor de música e músico profissional, Michel Prudencio artista de artes integradas e produtor cultural atualmente é funcionário público municipal estando a frente da coordenadoria de Ações Culturais da Secretaria Municipal da Cultura e Turismo e o filho de coração Sudelan Mendonça baterista, percussionista profissional e professor de música, com essas atividades a família mostra que é possível viver de arte e cultura no Brasil.
É sempre um prazer e uma grande emoção esta tocando e atuando com pessoas tão especiais em minha vida, ao lado de meu pai e meus irmãos me incentiva mais ainda dá o máximo de mim, a última vez que fizemos isso ainda éramos crianças e mais de 10 anos depois podemos reviver esse momento, nossa responsabilidade aumenta cada vez mais fazendo esse trabalho ao lado do músico Helinho Gomes a quem admiro bastante e da atriz Luana Marques. Disse o Músico Michel Prudencio.
O projeto será lançado na semana de comemoração do 13° aniversário da Cia Ortaet de Teatro e será apresentado na próxima sexta feira dia 20 de Abril no Galpão da Cia recém inaugurado, localizado na Avenida Perimetral (Vizinho a COMACOM) a partir das 19h30min.
Esse é o nosso presente que podemos oferecer para a platéia de Iguatu e para a Cia Ortaet de Teatro que sempre tem incentivado e divulgado os artistas de Iguatu esperamos ser bem felizes com esse espetáculo maravilhosos além de fazer essa singela homenagem a esse grande exemplo que foi o Dr. Humberto Teixeira, disse Helinho Gomes.

Serviço

Espetáculo Humbertos 
Data: 20 de Abril de 2012
19h30min
Galpão da Cia Ortaet - Avenida Perimetral (Vizinho a COMACOM)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cultura em Movimento...Helinho Gomes lança seu 3º Disco - LUA


Quem é bom sempre volta é com muito prazer e responsabilidade que venho aqui apresentar mais um novo projeto finalizado do músico, cantor e compositor Helinho Gomes para quem ainda nao conhece seu trabalho Helinho já gravou dois discos solos "Pra Consquistar Alguem" (2009) e "Oposto" (2010) tambem divide a liderança da banda ingroove e tem seu registro no CD/DVD "ingroove gravando ao vivo" (2011), graduado em Educação Musical pela Universidade Federal do Ceará (UFC) professor de artes em educação básica e atual coordenador da Escola de Música Popular Humberto Teixeira.
A expectativa para esse novo projeto já estava bastante alimentada e aguardadas pelos fãs do músico e da banda ingrrove, tive o prazer de conhecer uma previa do projeto a caminho de Iguatu na famosa estrada do algodão vindo de Acopiara, rápidamente escutei algumas faixas ainda em construção, em meio a analises, debates e reflexões das letras a senssação que tive no momento é que estava diante de um diamante valioso ainda bruto e sendo lapidado com muita delicadeza...
Com um nome singular o novo cd "LUA" de cara nos apresenta uma previa de outra artista que admiro muito o fotografo Jan Messias, a capa que não tras de cara esse satelite natural a Lua propiamente dita, ela vem representada acredito eu que de proposito no pulso da "modelo" Marila, como que uma exelente representação do que vem no projeto, a "lua" cravada ao pulso de quem impulsiona a inspiração do autor.
Helinho uma vez me disse que esse novo CD estava cheio de novidades e de fato esta sim, começando para a diversidade e inclusão de outros artistas em seu trabalho ao lado de Léo Lima (ingroove), Andreh Jonathas, João Marcelo e Fernando Martins o trabalho vai tomando forma e diferentes personalidades, diveros pontos de vista de se falar de amor, sentimento, solidão e alegrias.
Em sua primeira faixa somos recebidos com o prometido hit "Fazendo de conta" que irá compor o hall das musicas que caracterizam os grandes sucessos do músico ao lado de "alguma coisa pra voce", "oposto", "amarelo" e outros, junto com o novo CD foi lançado o clip da música definindo como música trabalho do album.  
Nessa edição dá pra ser conferir novos testes, diferentes formas de arranjos o uso de novos intrumentos e até mesmo uma metodologia diversa de apresentar a tematica abordada nas composições, mas acredito  que com essa bagagem helinho tem em sua experiencia como produtor musical a personalidade ideal para um bom músico, um bom compositor e um bom cantor em relação aos albuns que antecedem esse processo observa-se o processo de amadurecimento do artista, a cada projeto musical apresentado percebemos claramento o tamando do desenvolvimento isso reflete na qualidade do produto final, observamos tambem que a linha de estilos musicais já esta bem definida concentradas em uma unidade musical e ao mesmo tempo percebesse a diversidade na unidade.
A construção das narrativas apresentadas em suas músicas representam as diversas histórias vividas por todos nós em diversas idades, uma das novidades tambem é a variedade nas temáticas abordadas nas canções como a novidade "Essa Blusa" (helinho Gomes - faixa 07) propõe um novo olhar diante dessa diversidade contida em nosso dia a dia, além de apresentar um novo pensamento de como devemos ver o mundo e instiga um melhor convivio coletivo partindo da particularidade e individualidade de cada um, passando por temas como religião, moda e até mesmo raça.
O disco ainda mostra um replay de outros trabalhos já conhecidos como o caso de "casca de nós" (Léo Lima e João Marcelo) apresenta um novo "bis" contida no trabalho conjunto "ingroove gravando ao vivo" (2011) novos arranjos e uma variação na organização melódica bom além de encantar a harmonização com o acordeom.
Em Cy's o que me tocou foi a narrativa construida nessa canção, aliada de uma linda e marcante melodia, acredito que várias pessoas que escutar remonta seus momentos particulares diversos na vida...infancia, adolescenncia e em maior importancia esse amor fraterno..."Não são mais tão diferentes assim...se sendo irmãs são sempre iguais no fim".
O sambinha bom do disco fica por conta de mais um "bis" da ingroove em "O que voce quer?" mais uma vez um novo arranjo mostra o quanto é possivel ver várias propostas de uma mesma música.
O Album "lua" se despede com a música "estação" nome bem oportuno para despedidas, o disco se encerra deixando uma anciedade como se plateia pedisse biss e banda volte para tocar mais um pouco...
Percebemos que Helinho Gomes é um dos poucos que ainda tenta, salvar e preservar a boa música como disse anteriormente as canções de helinho são pra todas as horas, todos os  lugares e momentos, sempre iremos nos identificar e se contemplar em alguma faixa.
Grande amigo! Desejo muito sucesso e muita música, muitos como esse virão por ai.


Baixe aqui o CD completo


Clip Novo

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cultura em Movimento... Festival 27 de Março



A Prefeitura Municipal de Iguatu, através da Secretaria da Cultura e Turismo, realizará no período de 24 a 31/03 o FESTIVAL 27 DE MARÇO.
No dia 24/03(sábado), os artistas intervenções pelo centro da cidade a partir das 08h finalizando com uma apresentação de Roda de Capoeira em frente ao Mercado Público. Logo mais às 19h no Teatro Municipal Pedro Lima Verde haverá a apresentação de esquetes do Elo Vanguarda de Teatro e às 20h as esquetes da Cia Ortaet de Teatro “Com Certeza O Livro é o que fica”.
No domingo(25) no Teatro Municipal Pedro Lima Verde às 19h teremos a apresentação do espetáculo “O Boi Santo” do Grupo Loucos em Cena de Barbalha.
Na segunda(26) às 09h e 14h no Teatro Municipal Pedro Lima Verde apresentação do show infantil com o Palhaço Jajá. Logo mais às 19h também no Teatro Municipal haverá oEspetáculo de Mamulengos da Companhia de Bonecos e 19h 30min Mostra de Teatrodos Projetos Sociais de nossa cidade com os alunos do PETI, PROJOVEM E MAIS EDUCAÇÃO.
Já na terça(27) o Festival 27 de Março que já acontece a 11 anos em comemoração ao Dia Mundial do Teatro e do Circo, antes realizada e organizada pela classe artística, hoje é realizada pela Prefeitura Municipal através da Secretaria da Cultura e Turismo, apresentará  o espetáculo infantil “Rururu Rarara” às 09h do Elo Vanguarda de Teatro no palco doTeatro Municipal Pedro Lima Verde. As 20hs o espetáculo “Marta, a Árvore e o Relógio” do Curso de Artes Cênicas da URCA de Juazeiro do Norte abrilhantará o palco doTeatro Municipal Pedro Lima Verde.
Para encerrar a programação do mês de março teremos no dia 31 às 09h mais uma edição doBaião na Feira no Mercado Publico Municipal e às 20hs na praça da Matriz show do programa Arena Musical.

Assessoria de Comunicação
Sec. Cultura e Turismo de Iguatu

segunda-feira, 5 de março de 2012

A arte e a cidade



Quando o tema é a qualidade de vida nas grandes cidades, interrogamos o desequilíbrio do meio ambiente, o desemprego, a deficiência de moradia… Decorrentes de um modelo de desenvolvimento que se caracteriza por favorecer padrões de concentração de renda e poder.
Não pensamos na visualidade urbana. Diante de tanta reivindicação não resta tempo para pensar a “beleza” como um componente que qualifica o ambiente cultural das cidades. Na cidade moderna, produto da sociedade industrial, a integração arte / arquitetura foi um princípio racional contra o desperdício de decorações, imposto pelo gosto eclético do século XVIII.

As relações: arte / arquitetura, arte / cidade dizem respeito à qualidade ambiental, são ingredientes que de vez em quando aparecem nas reformas urbanas, no paisagismo, nos espaços e edifícios públicos e privados. No século XIX, a cidade conta com um acervo de monumentos e se transforma num museu. Os monumentos arquitetônicos se destacam no tecido urbano e nos centros das praças são instaladas estátuas de algum indivíduo homenageado pelos seus feitos e ações. A burguesia, ao contrário das sociedades arcaicas, planeja o entorno, marca o urbano com suas estátuas.
Até o horizonte das experiências estéticas dos anos 60 do século passado, quando o Minimalismo superou o conceito tradicional de escultura, transformando o objeto escultórico em elemento de composição espacial, quase arquitetônico. Formas geométricas primárias, como protótipos industriais, são inseridos no urbano, destacando-se na paisagem pela monumentalidade.
Com os investimentos das grandes cidades voltados para obras básicas, cidades oneradas por problemas financeiros e sociais, sem grandes recursos, sem uma tradição de política cultural no planejamento urbano, como imaginar a arte pública neste contexto?
Quando intervenções em nome da arte são executados de maneira casuísticas e personalistas, respondendo às vezes a interesses de ocasião, sem qualquer relação com o entorno, distante do que entendemos como arte, um adorno na paisagem, neste caso a obra de arte deixa de ser uma contribuição positiva para a visualidade urbana. Não vamos resolver o problema com legislação, sem um programa de educação para as artes e sem consciência de cidadania. É preciso educar os que decidem o destino da cidade com um programa específico de apoio às artes.
No Brasil a integração arte / arquitetura foi uma preocupação do modernismo, como podemos constatar na casa modernista em São Paulo em 1930, projetada por Gregor Warchauchik obedecendo aos ideais da Bauhaus. No final da década de 30, no Rio de Janeiro o prédio do Ministério da Educação e Cultura sob a coordenação de Le Corbusier com participação de arquitetos como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, os artistas plásticos Cândido Portinari e Bruno Giorgi foram convidados para participar da concretização do projeto. Em Salvador, uma legislação dos anos 50 obrigava a cada projeto arquitetônico a reservar um percentual de seu orçamento para uma obra de arte.
E o espaço público? Pouco foi feito para valorizar o espaço urbano com a presença da obra de arte. Intervenções que ignoram o contexto, a escala, cultura e a contemporaneidade da cidade, confirmam o crescimento desordenado e o provincianismo da cidade.
Se é possível falar de uma estética do espaço urbano, ela é resultado da relação que os elementos construtivos mantém entre si e com o todo, nem sempre considerada nas reformas urbanas. Um exemplo: Praça da Sé, centro histórico da Cidade do Salvador, palco de várias reformas, o que fazer com uma fonte luminosa, que mais parece um elemento decorativo, uma maquiagem para ocupar um pedaço abandonado da Praça?
Um espaço que poderia ser revitalizado do ponto de vista visual e ambiental com esculturas contemporâneas. Questões que iremos abordar na oficina Arte / Cidade. A meu ver, é oportuno o pensar sobre a arte pública numa cidade onde o fazer artístico e sua intervenção no urbano é uma relação ainda empírica.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cultura é poder

O que é Cultura? Qual a sua função pública? Existe uma relação direta entre cultura e desenvolvimento? Podemos pensar em sustentabilidade sem considerar a questão cultural? Pra que serve uma política cultural? Qual a sua relação com o mercado? Como o poder público pode intervir na dinâmica cultural de uma sociedade? Como o artista e o agente cultural enfrentam os desafios da pós-modernidade?
Entre as muitas respostas possíveis para essas questões, optei por buscar uma abordagem propositiva, que buscasse imaginar uma nova percepção da riqueza e importância da cultura como projeto humanista, que abarcasse também a sua dimensão individual, política e organizacional. Um ponto de partida para um projeto de nação, para o desenvolvimento social, para as oportunidades econômicas, mercados potentes, empresas inovadoras, brasileiros capazes, competentes e livres. A intenção é apresentar cultura como domínio, como campo de apropriação, pública ou privada, e seu manejo pelos diversos agentes sociais ao longo do nosso processo civilizatório.
A ideia de cultura, sempre moldada conforme as visões políticas de cada tempo, detém em si as chaves dos sistemas de poder. Chaves que podem abrir portas para a liberdade, para a equidade e para o diálogo. Mas também podem fechá-las, cedendo ao controle, à discriminação e à intolerância. Da mesma forma que o poeta T.S.Eliot inter-relacionava cultura sob a ótica do indivíduo, de um grupo e de toda a sociedade, precisamos compreender cultura como um plasma invisível entrelaçado entre as dinâmicas sociais, ora como alimento da alma individual, ora como elemento gregário e político, que liga e significa as relações humanas. Perceber a presença desse plasma – ou seja, de uma matéria cultural altamente energizada, reativa e que permeia todo o espaço da sociedade – é fundamental para a compreensão dos fenômenos do nosso tempo.
Cultura é algo complexo. Não se limita a uma perspectiva artística, econômica ou social. É a conjugação de todos esses vetores. Daí a sua importância como projeto de Estado e sua pertinência como investimento privado. Uma política cultural abrangente, contemporânea e democrática deve estar atenta às suas várias implicações e dimensões. A UNESCO, organismo das Nações Unidas destinada a questões de educação cultura e ciências, define cultura como “um conjunto de características distintas espirituais, materiais, intelectuais e afetivas que caracterizam uma sociedade ou um grupo social”. Esse entendimento abarca, além das artes e das letras, os modos de vida, os sistemas de valores, as tradições e as crenças.
Sob a luz do conceito de cultura da entidade não seria absurdo classificar um filme publicitário ou merchandising como uma ação cultural. Não se trata do investimento no potencial criador do cidadão/consumidor, mas num determinado conjunto de comportamentos necessários a reforçar a ideia de incentivar ou potencializar determinação ação (consumo). A empresa age para seduzir, ou até mesmo impor, por meio de ação sistemática e repetida, sua “cultura”, seus valores e códigos. Ou seja, para consumir determinada marca de cigarro, automóvel, ou calça jeans, é preciso praticar, ou ao menos identificar-se, com determinados padrões de conduta. Levado às últimas consequências, esse sistema traduz-se num processo de aculturação, baseado na necessidade de destituir o sujeito de valores, referências e capacidades culturais intrínsecas, em busca de adesão a algo mais dinâmico, sedutor e com função gregária: o consumo.
A jornalista canadense Naomi Klein aponta em seu livro-manifesto Sem Logo (2002) os riscos dessa associação. Ela apresenta o branding (mecanismos empresariais para criar a desenvolver marcas) como um processo cultural. A autora afirma que as marcas não são produtos, contudo, são responsáveis pela criação de conceitos, atitudes, valores e experiências. Portanto, “por que também não podem ser cultura?” Esse projeto tem sido tão bem sucedido que “os limites, entre os patrocinadores corporativos e a cultura patrocinada, desapareceram completamente”, questiona. Segundo Klein (2002), embora “nem sempre seja a intenção original, o efeito do branding avançado é empurrar a cultura que a hospeda para o fundo do palco e fazer da marca a estrela. Isso não é patrocinar cultura, é ser cultura”. A serviço das instâncias de poder, sustentadas entre si, como nos dias de hoje, atuam os sistemas financeiro, governamental e de mídia.
A arte assume uma preocupante função apaziguadora e definidora dos modos de vida e costumes. Joost Smiers, em Artes sob Pressão (2003), pergunta “onde os conglomerados culturais podem espalhar suas idéias sobre o que deve ser a arte, a questão crucial é: as histórias de quem estão sendo contadas? Por quem? Como são produzidas, disseminadas e recebidas?” Para Smiers (2003), as obras de arte tornaram-se veículos com mensagens comerciais e “têm a função de criar um ambiente no qual a produção do desejo possa acontecer. Esse contexto é freqüentemente cheio de violência”, diz.
A indústria audiovisual e seu extremo poder de alcance, das salas de cinema aos lares de todo o planeta, por meio de DVDs, games e websites interativos, é o melhor exemplo disso, como aponta o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de 2004, intitulado Liberdade Cultural num mundo diversificado. De acordo com o documento, o comércio mundial de bens culturais – cinema, fotografia, rádio e televisão, material impresso, literatura, música e artes visuais – quadruplicou, passando de 95 bilhões de dólares norte-americanos em 1980 para mais de 380 bilhões em 1998. Cerca de quatro quintos desses fluxos têm origem em 13 países. Segundo o relatório, Hollywood atinge 2,6 bilhões de pessoas e Bollywood (indústria de cinema indiano) cerca de 3,6 bilhões. O domínio de Hollywood é apenas um dos aspectos da disseminação ocidental de consumo. “Novas tecnologias das comunicações por satélite deram lugar, na década de 1980, a um novo e poderoso meio de comunicação de alcance mundial e a redes mundiais de meios de comunicação como a CNN”. O número de aparelhos de televisão por mil habitantes mais do que duplicou em todo o mundo, passando de 113, em 1980, para 229, em 1995. Desde então, aumentou para 243. O resultado disso é a criação de um padrão de consumo global, com “adolescentes mundiais” compartilhando uma “única cultura pop mundial, absorvendo os mesmos vídeos e a mesma música e proporcionando um mercado enorme para tênis, t-shirts e jeans de marca”, afirma o relatório.
Edgar Morin, em “Cultura e Barbárie Européias”, empresta de Teilhard de Chardin o termo “noosfera”, para designar o mundo das ideias, dos espíritos, dos deuses produzidos pelos seres humanos dentro de sua cultura. “Mesmo sendo produzidos pelo espírito humano, os deuses adquirem uma vida própria e o poder de dominar os espíritos”. Dessa forma, diz o filósofo, “a barbárie humana engendra deuses cruéis, que, por sua vez, incitam os seres humanos à barbárie. Nós modelamos os deuses que nos modelam”.
Max Weber costumava dizer que o homem está preso a uma teia de significados que ele mesmo criou. Nesse sentido, assim como Geertz (1973), também podemos considerar cultura como um conjunto de mecanismos de controle para governar comportamentos. E a história recente exibe vários alertas de como as indústrias culturais e os meios de comunicação de massa podem ser grandes armas disponíveis para acomodar e disseminar determinados comportamentos. Assim fizeram o nazismo, o fascismo, o comunismo e as ditaduras militares, sobretudo as latino-americanas, nos exemplos extremos. Esse rastro está cada vez mais presente nas sociedades orientadas para o consumo. Em comum, a ausência do Estado em sua responsabilidade com a cultura e a diversidade; e o domínio marcante das indústrias culturais como ponta-de-lança para uma economia global centrada nas grandes corporações.
A realidade desse cenário precisa ser encarada por toda a sociedade brasileira, que usufrui os benefícios dessa globalização econômica, mas ao mesmo tempo se expõe de maneira preocupante aos seus efeitos colaterais. O país corre risco de virar as costas ao seu grande potencial da produção cultural e sua vocação para o desenvolvimento de um poderoso mercado formado pelas próprias manifestações culturais. Cultura, nesse caso, funciona como uma chave capaz de trancar o indivíduo em torno de códigos e simbologias controladas: pelo Estado, por uma religião ou mesmo por corporações e através dos instrumentos gerados pela sociedade de consumo, como a publicidade, a promoção e o patrocínio cultural. Mas essa mesma chave, que oprime o ser humano e desfaz sua subjetividade, tem o poder de abrir as portas, permitindo ao indivíduo compreender a si e aos fenômenos da sociedade e do seu próprio estágio civilizatório, em busca da liberdade. Para isso, basta girá-la para o lado oposto.
Em Dialética da Colonização (1992), Alfredo Bosi define cultura como o “conjunto das práticas, das técnicas, dos símbolos e dos valores que se devem transmitir às novas gerações para garantir a reprodução de um estado de coexistência social”. E supõe uma “consciência grupal operosa e operante que desentranha da vida presente os planos para o futuro”. A cultura cumpre nesse caso uma função pouco reconhecida e estimulada nesses tempos: transformar realidades sociais e contribuir para o desenvolvimento humano em todos os seus aspectos. Algo que identifica o indivíduo em seu espaço, lugar, época, tornando-o capaz de sociabilizar e formar espírito crítico.
Origens e dimensões da palavra Cultura
Raymond Williams, autor de Palavras-chave (2007), considera a palavra culture como uma das duas ou três mais complicadas da língua inglesa, devido ao seu complexo percurso etimológico. Em sua acepção mais longínqua, a matriz latina colere trazia o significado de cultivar, habitar, proteger e honrar com veneração. Desse radical, podemos reconhecer pelo menos dois desdobramentos: colonus, que traz a idéia de habitação e cultus, que nos remete a “cultivo ou cuidado”, bem como seus significados medievais subsidiários: “honra, adoração”, já “convergidos pela radicalização do temor divino e da moral na sociedade – personificação do Senhor no feudo”. Mas também couture, no francês antigo, por exemplo, associados à “lavoura, cuidado com o crescimento natural”.
Dos séculos XVI ao XVII, segundo Williams, o termo passou a significar, por analogia, o cuidado com o desenvolvimento humano e o cultivo das mentes, deixando de se tratar apenas da terra e dos animais. Desde já destacando uma distinção arbitrária entre os que têm cultura dos que não têm, o termo assume o caráter de civilidade. Com a expansão da Europa e seu conseqüente processo de dominação política e econômica, o poder de distinção entre o culto e o não-culto foi de grande valia para implementar e manter o colonialismo.
A partir dos séculos XVIII e XIX, o conceito passa a ser utilizado para designar o próprio estágio civilizatório da humanidade. Johann Gottfried von Herder escreveu Sobre a filosofia da história para a educação da humanidade (1784-91): “Nada é mais indeterminado que essa palavra e nada mais enganoso que sua aplicação a todas as nações e a todos os períodos”. Argumentava que era necessário grifar culturas, no plural, pois elas são específicas e variáveis em diferentes nações e períodos, tanto quanto em relação a grupo sociais e econômicos dentro de uma nação. Para Williams, podemos reconhecer três categorias amplas e ativas de uso do termo: o processo de desenvolvimento intelectual, espiritual e estético; a referência a um povo, um período, um grupo ou da humanidade em geral; as obras e as práticas da atividade intelectual, particularmente a artística, sendo este último o seu sentido mais difundido: “cultura é música, literatura, pintura, escultura, teatro e cinema”.
Já o pensador Edgar Morin atribui três dimensões interdependentes à palavra cultura: a antropológica, ou “tudo aquilo que é construído socialmente e que os indivíduos aprendem”; a social e histórica, que pode ser entendida como o “conjunto de hábitos, costumes, crenças, idéias, valores, mitos que se perpetuam de geração em geração” e a relacionada às humanidades, que “abrange as artes, as letras e a filosofia”.
Para Terry Eagleton, no indispensável A ideia de cultura (2002), as palavras civilização e cultura continuam até hoje a intercambiar-se em seu uso e significado, sobretudo por antropólogos: “cultura é agora também quase o oposto de civilidade”. Eagleton (2002) considera curioso que o termo hoje se aplique mais à compreensão de formas de vida “selvagens” do que para civilizados. “Mas se ‘cultura’ pode descrever uma ordem social ‘primitiva’, também pode fornecer a alguém um modo de idealizar a sua própria. Tanto para definir algo de domínio próprio de um indivíduo (o conhecimento adquirido) quanto para o exercício de poder em relação a grupos sociais distintos (o culto e o não culto, o civilizado e o não civilizado), o termo é utilizado até hoje como definidor de um campo simbólico determinado, quase sempre para distinguir ou identificar.
Ações e políticas culturais, constituídas nos campos público e privado, exercem, inevitavelmente, esse domínio. Como provedor de acesso a conteúdos, processos e dinâmicas, aguça o espírito crítico e permite a apropriação, o empoderamento e o protagonismo do cidadão. Por outro lado, a cultura adquire, cada vez mais, sua corporificação como ente econômico e instrumento de lazer e entretenimento. Manuseadas por sociedades contaminadas por um modo de pensar linear e cartesiano, condicionadas a analisar todos os fenômenos por uma correlação de causa-efeito, deixa de ser essa matéria que significa e transforma as relações, para ser mera atividade econômica, estratégica por sua grande capacidade de gerar recursos, postos de trabalho e economia de escala, por meio de exploração de propriedade intelectual. Uma fórmula que exige difusão em massa para ser economicamente eficaz. E conteúdos de fácil assimilação, para ampliar sua capacidade de inserção mercadológica.
Essa fórmula geralmente exclui diálogos mais profundos e complexos, desconectando-se de suas raízes culturais e das dinâmicas locais. Com formatos cada vez mais repetitivos e pasteurizados, são mais afeitas a uma cultura homogênea, linear, uníssona, voltada ao consumo.
A falta de dispositivos claros e efetivos para lidar com esse campo simbólico configura-se como uma das mais graves doenças das sociedades contemporâneas.
* Texto extraído do livro O Poder da Cultura, de Leonardo Brant (editora Peirópolis, 2009)

Indicação de Filme... Reis e Ratos


Estado do Rio de Janeiro, 1963. O coreto da praça principal de Bacaxá explode no momento de abertura da gincana de primavera da pequena cidade. O alvo do atentando é Amélia Castanho, cantora de boate escolhida para a tarefa da efeméride anual. Segundos antes de o coreto ir pelos ares, ela escuta do rádio do automóvel uma bizarra transmissão: o locutor, em transe, revela o plano que pretendia vitimá-la pela explosão onde ela deveria estar… mas não estava!
Assim começa Reis e Ratos. A partir daí, a narrativa quebrada em flashbacks nos traz de volta até a explosão do coreto e seu desfecho. A trama e suas situações conduzem o espectador pela atmosfera conspiratória das vésperas do Golpe Militar de 1964.
A narrativa suja e delirante de Reis e Ratos ocorre numa certa “antessala” do cenário golpista.

MinC quer aumentar participação da economia criativa no PIB


Com uma década de atraso, o Brasil resolveu mirar na chamada economia criativa — setor que movimenta mais de US$ 600 bilhões no mundo e se manteve imune às crise financeiras globais — e se prepara para lançar em abril um audacioso programa que pode duplicar os ganhos desse segmento em quatro anos. Se isso acontecer, serão R$ 108 bilhões a mais injetados na economia do país no período, graças ao aumento da produção e da exportação de bens e serviços criativos.
O programa Brasil Criativo está em gestação no Ministério da Cultura. Já foi mostrado à presidente Dilma Rousseff e está sendo tocado em parceria com a Casa Civil. O Planalto deve bater o martelo sobre as medidas, que envolvem pelo menos dez ministérios, em meados de março. Ao GLOBO, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, explica que a ideia é aumentar o quinhão do setor na economia dos atuais 2,85% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) para pelo menos 5,7% até 2015. As primeiras discussões começaram na gestão de Gilberto Gil. A despeito dos rumores de que poderia deixar o ministério, ela espera tocar o programa até o fim do governo:
— Não é um projeto para seis meses ou um ano, é de médio prazo.
Sobre a mesa estão a eliminação de leis caducas, desoneração de tributos, mudanças no marco legal e formalização de profissionais dos diversos ramos da cultura — do design ao artesanato, passando por games, cinema, novelas e música —, além da criação de linhas de crédito e da discussão sobre propriedade intelectual. Também está em análise o reconhecimento de novas profissões, para permitir acesso a financiamento, Previdência e emissão de notas fiscais.
O próprio governo admite que há poucas estatísticas sobre a economia criativa, e boa parte do mercado é informal. Segundo Luiz Barreto, presidente do Sebrae Nacional, que ajuda o governo a mapear o setor, 90% dos empreendedores são de micro e pequeno porte. Um estudo da Firjan mostra que toda a cadeia da indústria criativa no país — do espetáculo de dança ao iluminador, passando por figurinistas e barraquinha de cachorro-quente — movimenta R$ 667 bilhões por ano. São Paulo está à frente, com R$ 253,5 bilhões, seguido por Rio e Minas Gerais, com R$ 76,3 bilhões e R$ 59,8 bilhões, respectivamente.
‘Indústria do futuro’, segundo produtora
Segundo o Relatório da Economia Criativa 2010 da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o Brasil exportou US$ 6,3 bilhões em serviços e US$ 1,22 bilhão em bens criativos em 2008. A China vendeu US$ 84 bilhões em bens e US$ 2,6 bilhões em serviços criativos. Estados Unidos e Alemanha vêm em seguida, com mais de US$ 35 bilhões cada.
— O Brasil ainda pode se tornar uma potência criativa. Deve aproveitar seu grande momento, com os eventos esportivos nos próximos anos, para se vender melhor para o mundo — disse ao GLOBO a chefe do Programa de Economia Criativa da Unctad, Edna dos Santos-Duisenberg.
Para ela, a economia criativa é uma opção viável para crescer e ajudar os emergentes a driblarem crises globais, reduzindo a dependência das commodities. Segundo Edna, enquanto as transações comerciais caíram 12% em 2008 por causa da crise, as operações com bens e serviços criativos cresceram 14%:
— Este é um setor que vai continuar crescendo, porque reflete o estilo de vida da sociedade contemporânea, em que se consome cada vez mais cultura, entretenimento, lazer e turismo.
Os países ricos , que começaram a adotar programas semelhantes há uma década, detêm 90% do mercado mundial de audiovisual e música, 80% do mercado editorial e imprensa e 75% do de artes visuais. O programa do governo quer usar a cultura como alavanca para o crescimento, a geração e distribuição de renda e a inclusão social.
— Conheço muita gente boa que passa a vida esperando um convite ou um edital para trabalhar. Muita gente está informal nesse mercado. Falta informação. Estamos fazendo um grande mapeamento de todos os elos da cadeia. Acho que dá para, no mínimo, dobrar a participação do setor no PIB — disse a ministra, que reconhece o atraso do Brasil nessa corrida. — Estamos estudando os entraves. A indústria brasileira da moda já anda bem, mas tem enfrentado, por exemplo, a concorrência da China. Outro caso: estamos comprando fantasias de carnaval da China...
Dono da Icon Games, José Lucio Gama fez o seu primeiro jogo em 2003, após um curso na PUC-Rio. Desde então, tem exportado boa parte do que faz para o exterior por meios próprios e garante que o faturamento está na casa dos milhões de reais. Muitos dos seus games voltam para o país pelas distribuidoras estrangeiras, e os usuários locais sequer se dão conta de que são made in Brazil.
— É um mercado de US$ 2 bilhões no Brasil. As pessoas não sabem que muitos games são produzidos aqui dentro. Não temos bons canais de distribuição, como lá fora. Faltam profissionais treinados para essa área — disse Gama.
Autor do game “Detetive Carioca”, que tem por cenário pontos turísticos do Rio e casos como o roubo de um enredo de escola de samba, ele aposta no crescimento explosivo desse setor, graças à expansão do número de smartphones e tablets.
Para Walkiria Barbosa, dona da Total Filmes e organizadora do Festival de Cinema do Rio, o maior da América Latina, os tomadores de decisão, seja na iniciativa privada ou no governo, ainda desconhecem o potencial do negócio criativo.
— É a grande indústria do futuro. Nos Estados Unidos, é a maior indústria de exportação. O segmento audiovisual só existe se for analisado como indústria. Tem que produzir em escala, o que requer investimento alto de capital e infraestrutura sofisticada — disse Walkiria. — O Brasil está engatinhando nesse sentido. Para importar equipamento para um filme 3D, paga-se um imposto altíssimo. O audiovisual é tributado três vezes, na bilheteria, na distribuição e na produção dos filmes.
Segundo ela, o setor não precisa de caridade, mas de políticas eficientes:
— O que os filmes “Rio” e “Crepúsculo” fizeram pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil não tem preço. Isso é conteúdo audiovisual.
O produtor de eventos musicais Luis Oscar Niemeyer, que recentemente trouxe Paul McCartney ao Brasil, comemora a iniciativa do governo. Para ele, capacitação e infraestrutura são básicos.


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