sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Vale da Sombra da Morte...


Essa seria a primeira batalha, dividi o primeiro o dia em etapas que iria conquistar como numa tomada de território, lentamente, fazendo o lanço e no rastejo... Conta a lenda dos antigos militares que todos aqueles que recuaram e foram covardes em combate e que morreram por isso, seu castigo seria habitar eternamente o Vale da Sombra da morte, o último lugar pra onde se é mandado com passagem apenas de ida, sem volta! Por lá vagam os espíritos de soldados de guerra pedindo piedade e perda, ou talvez apenas uma chance para voltar para casa, diariamente tive que freqüentar o Vale e passar por seus portais, passando para outro mundo, no primeiro dia de batalha dei meus primeiros disparos em direção ao inimigo achando que ali estaria resolvido tudo, confiava em meu tiro que seria certeiro, no espaço de tempo entre alça, massa, prender a respiração, apertar o gatilho, e o projétil chegar ao seu destino, o inimigo ria e estava mais certo que eu da sua vitória, mas o verdadeiro objetivo desse disparo era confirmar se aquilo era uma guerra e seu era o convocado, horas depois próximo a confirmar tudo ainda tinha esperanças de que tudo aquilo era um simples engano, ou até mesmo uma brincadeira de mau gosto, subi no pico do lugar mais alto, segundos antes de receber a resposta oficial, contemplei a paisagem pela ultima vez, sempre existia uma esperança, mas no fundo do peito sabia que o fim do mundo estava próximo, POSITIVO e operante é isso, mais uma vez sofri, chorei e fiquei em choque, abalado, é isso é a guerra cabe a mim lutar pra no fim ser um vencedor, muitas águas ainda iam rolar isso era apenas o começo e eu achando que era o fim, o pior de tudo é que todas as batalhas dessa guerra estariam a ser travadas as portas do Vale da Sombra da Morte...

A Convocação!


Dois dias após o baile da despedida sem saber que era isso a guerra estoura em minha vida, estava despreparado sem material bélico e com pouco efetivo no exercito! O mundo caiu sob meus pés! Todos os planos e metas foram por água a baixo, estado de choque! Primeira etapa do luto, como se eu soubesse que ia realmente morrer, tentava até a ultima instancia a salvação, uma saída, o desespero me acompanhava... Meu inimigo talvez fosse eu mesmo, aparentemente a guerra não estava declarada, só a lista de convocados para que fosse lutar nela, estive aos braços das verdadeiras amizades, estive como uma criança que chorava para não ficar na escola no primeiro dia de aula, a noite demorava a passar, lentamente vi minha vida passar diante dos olhos e conferia naquela prova duvidosa se realmente era aquilo! O Chamado para a guerra, sensação que não desejo para ninguém, mas mesmo assim coloquei minhas armaduras e estava disposto lutar, minha meta era sair vitorioso nessa história, só queria conforto, estar aos braços de alguém e aproveitar cada momento antes da guerra começar, antes de conviver com cheiro de gente morta e escutar constantemente os disparos de fuzil e da artilharia que estavam a me esperar, fui pego de surpresa e percebi que quem estava mais ao meu lado por que teria apostado erroneamente todas as minhas fichas tinha declarado, planejado e me convocado para essa luta contra mim mesmo, contra meus ideais, contra minha vida... Talvez estivessem a me testar meu espírito de Guerreiro (que é isso que temos que ser em nossas vidas), na noite anterior, juntei os melhores e “verdadeiros amigos” e os curti, cantei, chorei, agradeci e me despedi como se fosse à última vez que iria vê-los daquela maneira, nas próximas vezes eu não estaria mais inteiro, confesso que o medo e o desespero me acompanhava cada segundo que antecedeu o primeiro tiro no primeiro dia de batalha! A partir de então coloquei meu uniforme, minha armadura, peguei as armas e fui para a guerra...

Peruanas e loiras – as mulheres de uma noite só... (O baile dos Oficiais)


Na verdade era o inicio da semana, mas com cara de fim de semana afinal nada me comprometia com o dia seguinte, estava a relaxar oficialmente dos árduos dias de trabalho que estava passando anteriormente, relaxado buscava em meu eu o meu mundo, ser e fazer o que der na telha essa era minha meta, alteração e tudo que me tirava fora disso tudo estavam a me acompanhar... Bom! Na social sentado a mesa buscava expulsar de mim os problemas, buscavam calar as vontades reais e dar espaço as irrealidades, uma, duas, três, quatro e cinco... Pronto foi o suficiente pra falar alto, gritar, falar o que der na telha e sorrir, sorrir e sorrir muito... Gargalhadas, piadas e amigos isso sim foi um dos raros momentos felizes que tive antes de ir para guerra!

Mas na verdade a cervejas não eram suficiente pra eu ficar louco e relaxado faltava algo a mais... Algo que tomasse todos os sentidos de uma vez, então fomos apresentados as peruanas, meninas simpáticas, mas dominadoras cheias de disposição e com más intenções, observei que o Não Lugar como assim chamavam devia tomar forma o Não Lugar de nosso mundo surreal veio ao mundo real para tornar concreto os desejos irreais que alimentávamos durante toda a vida, com endereço certo e data e hora marcada para entrada, abastecemos imediatamente com as loiras e as peruanas, som alto e tudo que tem direito partimos na estrada da diversão, para cada um víamos o lugar de forma particular, com pouca luz, uma boa música, luz da lua, e as meninas (rsrsrsrs)...me sentia em mim com pessoas que me completavam encerramos lá pelas tantas, contemplando a Lua que focava em nossa direção...confesso que foi um dos dias mais felizes de toda minha vida! Estava em mim, estavam comigo, agradeço por esse dia ter existido, agradeço por vocês existirem em minha vida!

O Começo do fim...


Ao lado da solidão, sem armaduras, sem lenço e nem documento aqui estou eu, olhando o horizonte avaliando tudo o que passou todas as mudanças e tudo que aprendi tudo que perdi e o quanto envelheci com essas mudanças, na verdade retorno pra casa hoje buscando novos rumos em minha vida, como um soldado que volta da guerra vivo... Louco, em pedaços, atordoado e sem destino, mas vivo! Esse é o fim, mas quero contar esse fim do começo dia após dia, todas as batalhas que vivi em uma guerra por uma causa perdida talvez, às vezes nem sei por qual causa lutei, mas sei que lutei como um verdadeiro guerreiro.

terça-feira, 27 de julho de 2010

De volta...

Olá caros amigos leitores, é com grande prazer que retorno a escrever aqui nesse blog ...
depois de ter dado férias a essa página, retorno a relatar os fatos da vida real e irreal como antes, na verdade essa pausa de um mês foi devido aventuras, batalhas e festas que o mês de julho me aprontou...mas não ficarei devendo e essas histórias e estórias irão compor as postagens seguintes...
agradeço também aos verdadeiros amigos e suas palavras de conforto diante dos problemas que me tomaram o mês...
Abração a todos e boa leitura!

sábado, 3 de julho de 2010

Nos alvos em frente...Fogo a vontade!


O dia começava cedo, antes mesmo dele chegar já estavamos de pé anciosos, era quase um mês de espera por esse dia, a tropa entrava em forma e apuravam-se as faltas, cada um pegava o seu equipamento...fuzil, bandoleira, cinto de guarnição, suspensólio, cantil, mochila, lanterna, algodão, kit primeiro socorros e a rapadura do Cabo Daniel...os nervos iam a flor da pele a cada etapada do processo que antecedia a chegada no estande de tiro - Embarcar!! dizia o comandante e todo mundo corria para o caminhão, em deslocamento, todo mundo em silêncio o objetivo se aproximava cada vez mais...todos preparavam o estande de tiro, alvos, capixama, saquitéis, limpeza do terreno, obréia, munição...
- Atiradores tomar posição deitado com apoio...monitores alimentar as armas com cinco munições sete meia dois...
Só dava pra escutar cada munição adentrar a câmara do fuzil como quem se prepara realmente para atirar em combate real...
- Atiradores! Carregar e travar as armas... O barulho do ferrolho e da trava de segurança indo pra direita, era hora de observar o alvo...Alça, massa, alça, massa...o dedo só vai no gatilho na hora de atirar...
- Atiradores! identificar os alvos...
-Alvo um identificado...alvo dois indentificado...e por aí seguia até o oitavo alvo...
-Atiradores prontos?Atiradores prontos?Atiradores prontos?...Destravar as armas...nos alvos em frente! Fogo a vontade...não se ouvia nada, só o dedo que ia esmagando o gatilho aos poucos como um caçador...de repente o primeiro disparo de alguem que não era eu iniciava uma sequencia de tiros em sua volta, como numa guerra, o ouvido não escuta mais nada perfeitamente, a serra ecoa o som do velho mosquefal calibre 7,62, derruba até avião...o dedo toca o gatilho, a respiração cessa por segundos, o projétil sai impussionado pelo percussor do ferrolho, vai até o alvo, o impacto no ombro desloca seu corpo para traz, dá um golpe...o estojo do projétil cai brutamente ao seu lado, e mais uma vez atira durante cinco vezes, para cada posição...
-Monitores verificar linha de tiro!...Linha de tiro em segurança.!..atiradores em frente verificar os impactos!...
De longe só escuta as notas serem gritadas como um furo jornalístico...B (bom), MB (muito bom) E (execelente), L (lixo), ML (muito lixo)...as rizadas no sopé da serra voltavamos como heróis...experiencia repetida várias vezes durante dois anos de minha vida...os tiros do fuzil mosquefal 7,62 da pistola 9mm e da 380 me viciaram a prática!

...da janela lateral...


Aqueles eternos e decisivos minutos que antecedem a hora de dormir, me faz sempre observar as pequenas coisas que giram em torno de mim e conspiram para que aquele momento seja perfeito...os lençóis, os travesseiros, a janela aberta, a brisa, as estrelas, o céu e a lua, como um universo cheio de ações que me envolvem até o sono chegar, aquele sono vagaroso...Enquanto isso observo e avalio o dia, a semana, o mês e o ano, sinto que os ventos mudam de sentido, agora são outros carnavais, outras viajens, outros rumos...busco encontrar nas rápidas fotografias de minha lembrança, o reencontro que alivia a saudade e ajuda a passar o tempo que mais uma vez anda devagar... Realmente sei o que quero, sei o que devo fazer, só não entendo o porque que não faço, não adianta mais estar a enganar, no fundo é como convencer as paredes do quarto e dormir tranquilo, sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo, acabo enganando a mim mesmo e todos em minha volta sabem realmente o que acontece, menos eu, convecido por minhas mentiras ao meu eu... Da janela lateral, sinto a brisa leve e fria que me adormece e me faz sonhar como o que realmente eu desejo, como um preságio, ou uma orientação do correto, mas também percebi que cheguei lá, ou estou no caminho correto.... Os efeitos da janela na lateral do meu quarto, me fizeram nessa noite saber realmente o que devo fazer e tomar minha decisão e é o que estou fazendo...agora uso meus recursos para diminiur a saudade que é imensa me apego todas as horas...Foto, Música e perfume.